sábado, 5 de maio de 2007

Incursões hospitalares na candangolândia - Capítulo V - O Derradeiro!

A Alta

O Doutor passou lá pelas 11 e me deu alta. Duas horas depois e de eu ter apertado o tal botãozinho incessantemente veio a enfermeira tirar o dreno e fazer curativo. Ela era a única no hospital. Estava fazendo mais de 20 altas ao mesmo tempo. Quem disse que hospital privado é tão melhor assim? Tirou meio metro de fio de dentro de mim: Diga-se de passagem a sensação mais esquisita que se pode ter. Não é dor, não é cócega, não é nada. É um calafrio rápido de ver uma pessoa tirar um canudinho do meio das suas entranhas. Pela segunda vez a Julia quase desmaiou. A bichinha não passa muito bem com essas coisas. O pior é que adora "E.R.".

A moça saiu dizendo que ia bipar a cadeira para eu ir embora. Nem preciso dizer que a cadeira de rodas levou outra hora para chegar né?
Quando chegou veio guiada por um rapaz: "Como o senhor que fazer? Consegue sentar sozinho na cadeira?" eu disse: Acho que consigo. Problema é que a perna não dobra. O rapaz: "Então como vamos fazer?" Pausa para contar até dez. Vontade de enforcá-lo com o fio do soro: "Amigo, quem deve dizer como vamos fazer é você. Eu não trabalho em hospital. Um fisioterapeuta me disse que podemos por a muleta na cadeira de rodas, eu sento em cima dela e fico com a perna esticada." Ele: "Doutor, que boa idéia." (Pausa para análise antropológica. Como brasília é uma cidade que tem muitos doutores, os serviços "inferiores" costumam chamar a todos de Doutor ou patrão, ou mesmo meu patrãozinho. Obviamente um lugar onde a revolução burguesa ainda engatinha. As revoluções sociais e os movimentos organizados ainda nem estão nos planos, mas isso é estória para outra publicação)
"Como o senhor vai fazer? Vai no banco de trás do carro." Mais uma variável a transpor: Como enfiar uma perna que não dobra num carro que não tem banco de trás? Posso dizer que a nossa volta para casa dessas férias foram, no mínimo, divertidas.

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