quinta-feira, 3 de maio de 2007

Incursões hospitalares na candangolândia - Capítulo III

Sala de recuperação


Eram 4 pessoas. Um senhor operado do joelho que vomitava sem parar por causa da anestesia. Uma menina de pele negra e seios fartos à mostra também com as pernas operadas. Eu e uma pessoa mais ao longe. Acho que uma senhora. A Sala: Nada de especial para uma repartição pública. Um telefone que não parava de tocar e ninguém para atender. Comecei a sacar as coisas. Alguém precisava dizer para o senhor virar a cabeça para o lado para não morrer asfixiado no seu vômito. Alguém precisava cobrir a menina dos seios pois ela ainda tinha dignidade, humanidade e todos os seus valores morais apesar da anestesia. Alguém precisava acudir a senhora do outro lado. Sem óculos, só podia ver que a oxigenação do sangue dela estava em torno de 60%, e caindo...

Tive vontade de levantar. Parecíamos abandonados. Para férias, esse tipo de estresse já não está legal. Chegaram duas enfermeiras que ajeitaram o senhor para ele vomitar para o lado, cobriram a menina de seios fartos e puseram a senhora no respirador. Só não atenderam ao telefone. Já procurava algo ao meu alcance para jogar na invenção de Bell.
Pedaços de carne estirados numa sala vazia. Impressionante como a impressão ainda era de total falta de humanidade.


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