Mudaram de casa, de cidade, de Estado e de país. Hoje habitam a distante e singular candangolândia. Uma ilha isolada das agruras do mundo brasileiro e protegida pelas linhas de Niemeyer. O céu de laranja os vela dia após dia sem falhar um sequer. As cigarras anunciam a esperadíssima chuva, bem como os Flamboyants avermelham o concreto modernista.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Dois Anos ReJuntando sem parar
Mudaram de casa, de cidade, de Estado e de país. Hoje habitam a distante e singular candangolândia. Uma ilha isolada das agruras do mundo brasileiro e protegida pelas linhas de Niemeyer. O céu de laranja os vela dia após dia sem falhar um sequer. As cigarras anunciam a esperadíssima chuva, bem como os Flamboyants avermelham o concreto modernista.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Retrato de Brasília, por Naiana Bueno segundo Renato Bock

Brasília é uma cidade utópica. Não porque Niemayer a planificou, e sim porque eu não conheço Brasília e, quando eu não conheço, tudo se transforma em utopia ou em mito. O que é muito simpático, pois vejo sem ver e assim me permito fazer seu retrato.
Dizem que Brasília tem a forma de um avião. Hoje isso soa anti-ecológico, pois são os aviões uns dos maiores poluidores da nossa época. Mas também sonha o sonho de todo homem que sempre sonhou em voar. Coisa simples, pois no cerrado o ar quente sobe rápido e os 33 graus Celsius de massa de ar quente fazem quase toda folha de papel voar. Mas em Brasília não tem papel pelas ruas: primeiro porque é anti-higiênico, segundo porque é anti-utópico (toda cidade utópica vive sem papéis), terceiro porque pegaria fogo. Explico-me. Niemayer projetou Brasília já pensando nos problemas fundamentais do cerrado: sol é sinônimo de calor que é sinônimo de mais calor que, ainda mais quente vira sinônimo de fogo. O avião seria símbolo da urgência, sair correndo, voar para longe o mais rápido possível em caso de fogo.
Mas Niemayer não era besta. Sabia que nada torra em Brasília porque o calor é seco, então o avião virou símbolo da modernidade e não da urgência. Gostaram da idéia e dizem ter transformado Brasília em capital.
Mais interessante do que a forma de Brasília é o seu conteúdo. Já ouvir dizer que Brasília atrairia gente de todo tipo em busca de uma vida melhor. Mas a adaptação fundamental a esta nova cidade passaria não só pela adaptação econômica, mas também pela adaptação fisiológica de seus supostos habitantes. Em terra quente e seca os indivíduos podem continuar a usar terno e gravata, pois o sol faz arder, mas não faz suar. Andam pra lá e pra cá, circulando no corredor principal do avião, indo ao toilette de vez em quando, sentando em poltronas confortáveis e ligando televisões individuais. Não transpiram, então economizam água, pois não a bebem com frequência nem se tornam neuróticos com o lavar roupas, carros e calçadas. A falta de água no organismo causa ressecamento da pele, como no chão do cerrado. O povo que dizem lá viver, para amenizarem o desgaste da pele seca, enrugadas, da velhice precoce, parece andar com um paninho num bolso e com uma garrafinha de água no outro. Mas não é água potável, pois a falta de sede seria menos importante que o excesso de rugas: molhariam o paninho de água e colocariam na cara até que a última gota fosse absorvida. Pensariam nas rugas, mas dizem esquecer das pedras nos rins. Sem suor, sem sede, sem urina e com pedras nos rins. Parece que os hospitais de Brasília recebem todo ano uma quantidade gigantesca de gente sem rugas e com pedras nos rins. O problema todo vem do sistema de educação que não teria tempo de ensinar aos pequenos que beber água é mais importante que coloca-la na cara. Não teriam tempo porque as escolas fechariam 10 vezes ao ano, quando a taxa de umidade relativa do ar passa abaixo dos 10% . As crianças não ficam horrorizadas porque seus lábios ressecados racham, mas porque os cabelos, outrora dominados pelos secadores e chapinhas ficam duros como piaçava!
Não conheço Brasília, mas acho que a próxima vez que encontrar alguém sem rugas, com cabelos de piaçava, de terno e gravata sem suar, mas se contorcendo de dor por causa de pedras nos rins, saberei de onde ele vem. Só então os habitantes de Brasília poderão se tornar reais para mim: porque os reconheço no meu retrato. Brasília? Ah, será sempre utópica uai!
Naiana Bueno é paulistana, filósofa, migrante e boa observadora. Renato Bock é economista, hipocondríaco e habitante sem suor de Brasília.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Depois do capítulo, Julia, a menina veneno, é vez de Sílvio, o homem do dedo verde, roubar a cena e as capas de revista.
Família Bock, a missão
Por Lia Bobocka
Papai Bobocko testava sua mais nova máquina de marceneiro profissional quando um deslize desatento lhe tomou a ponta do indicador direito. Pelas barbas do profeta!! Mas fiquem calmos. Ele está achando lindo. 1) porque seu irmão gêmeo teve o dedão do pé amputado na juventude e agora, finalmente, a profecia dos gêmeos se confirma. 2) porque marceneiro que é marceneiro não tem um dedo. 3) porque foi só a cabecinha. Ufa! Assim que o dedo estiver olhável publicaremos as fotos nesse blog. Mas, para os mais curiosos fica uma descrição (sim eu olhei pra ele! Fui praticamente obrigada): o dedo virou uma mistura do aríete com um pintor francês. Explico: o aríete porque perdeu a ponta, e ficou meio reto. O pintor francês porque não ficou reto, reto mesmo, e sim meio tortinho. Com os pontos parece que está de boina. Na verdade, vai ficar bem útil esse dedo... ótimo para apertar o botão do elevador e fazer doim.
PS: a partir de agora cobraremos entrada para visitação.
PS2: Abrimos licitação para contratar uma assessoria de imprensa.
Grata, Lia Bobocka
domingo, 7 de outubro de 2007
domingo, 30 de setembro de 2007
JuBock x Jararaca em: O MUNDO É PEQUENO DEMAIS PRA NÓS DOIS!
domingo 30 de septiembre de 2007
Menina Veneno
FERNANDO TACCHELLA
En todas esas excursiones, nunca tuvimos problemas con la fauna local salvo por alguna picadura de mosquito o por varias de los pequeños e insistentemente voraces borrachudos.
De las reuniones campestres del fin de semana, tampoco recuerdo grandes problemas. Lo más grave e impúdicamente cómico fue una vez en la quinta de Renato en la que André, nuestro amigo chef, se encontró a una garrapata aferrada a su escroto. Debió recurrir a un cigarrillo para quitársela.
Se puede vivir por la campaña brasileña sin ningun problema, La hermana de Renato, Lía, vive en el cerrado y nunca tuvo problema con ninguna bestia, ni siquiera con las bípedas.
Pero no hay que fiarse demasiado. La hermanita de Renato, Julia, pequeña actriz de obras de Nelson Rodrigues, no solía internarse en ningun sendero. No solía hasta que su actual novio, el fin de semana pasado, la convenció para hacer una excursión a Boiçucanga. Un sendero sin inconvenientes, salvo por una mordida de jararaca.
La jararaca es la segunda víbora más venenosas de Brasil. El efecto del veneno de jararaca es anticoagulante, así que la víctima sufre hemorragias que pueden causar la muerte. Lo peor que puede hacer uno al ser picado es acostarse, porque entonces el veneno se extiende fácilmente al resto del cuerpo. Me han dicho que los nativos se curan con aceite de burití, un remedio ancestral que los sabios nativos, ignorantes de las normas internacionales de propiedad intelectual, no han patentado. Para eso estarán los nobles investigadores de algún respetable laboratorio o centro del saber. Después de todo, esa es la ley de la jungla.
Volviendo a Julia. Su novio, el héroe del momento, la cargó durane una hora por el sendero hasta llegar al pueblo en donde le suministraron la primera dosis de suero. Luego la llevó al instituto Butantã, en San Pablo, para que le suministraran la dosis completa. Allí la internaron. Allí se recuperaba este martes después de la mala pasada. Allí ganaba un nuevo apodo: menina veneno.
Como en esa empalagosa canción de Ritchie: "Menina veneno / o mundo e pequeno demais pra nos dois"...
Veja mais em http://www.tolhuinense.blogspot.com/
domingo, 23 de setembro de 2007
Elas chegaram!!!
Anunciando a chuva, as cigarras voltaram a animar os dias em Brasília. A cantoria é dos machos. Quem cantar mais alto e mais forte atrai a fêmea. Vocês imaginam o que é isso? Sabe aquele barulho que escutamos quando a panela de pressão está ligada? Pois é isso amplificado e durante todo o dia, principalmente ao entardecer.
O ciclo de vida desse bichinho é curioso. Depois que botam os ovos, as fêmeas morrem. Os ovos eclodem, e as larvas caem no chão e se enterram. Vivem por lá por até 17 anos, alimentando-se da seiva das raízes das árvores. Depois desse período, elas cavam túneis, sobem nas árvores e sofrem uma metamorfose (daí a foto!). Neste momento, já adultas, então prontas para o acasalamento.
domingo, 9 de setembro de 2007
Um feriado cívico na candangolândia...

Nesse feriado cívico o candango-casal recebeu visitas ilustres. Miriam, Fernandão, Biel e Ana juntaram-se aos intrépidos nessa seca sem dó. Entre passeios, esplanadas, palácios e incessantes quitutes, o grupo apadrinhou o Jequinha. Esse bólido encheu de transporte, de humor e muito estilo o fim de semana prolongado. Popular de nome, mas tolhido em sua liberdade por temporalidade, o bichinho respondeu à altura de sua experiência. Criado em tempos de AI-5 hoje ele dá asas à imaginação do ReJunte. Esses incríveis e sua máquina maravilhosa rodaram entre novos e modernos, mas que nem de perto aspiram tanta segurança que só 40 anos de experiência podem dar.
Dos tempos quase imemoriais, olhe quem vem lá. Faceiro que só. Das barbas do poder ele conheceu a ditadura e a redemocratização com simplicidade e singeleza flertando com o tempo que lhe foi irresistível.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Piraputanga Pequena


O Rê esteve prá lá de Cuiabá para uma atividade laboral. Ainda assim teve momentos de puro deleite. Pode avistar ao longe a Chapada dos Guimarães. Mesmo que tivesse tempo não poderia visitá-la de perto, pois ela estava em chamas e o parque estava fechado. Também foi apresentado à Piraputanga na Brasa e ao Kanjinjin. A Pira. é um peixe de rio delicioso, pra variar. O Kanjinjin é uma bebida de origem escrava. Produzida em alguns quilombos do Mato Grosso, hoje ela é dita afrodisíaca. O que o Rê ouviu foi que quando ela era feita de cravos, e outras especiarias era só um energético que dava forças para os escravos sobreviverem à duríssima realidade.
Do Quilombo em Chapada dos Guimarães o Rê também sentiu o vapor do inferno lascando suas Narinas. Eram 38º com uma umidade do ar abaixo dos 17%. O calor não vinha do céu. Vinha da Terra, vinha debaixo. Entra pela roupa, te toma e suga suas forças. Impressionante.


